sexta-feira, 25 de abril de 2014

dia 13 e 14

Hoje é aniversário da Lori!

Ontem eu não escrevi nada por motivos de foi um dia absurdamente chato. E eu fiz coisas, mas tudo com gosto de barrinha de cereal. Aquele nada que você finge que te alimenta.Tem dias legais em que não dá pra escrever nada porque você não tem tempo, tem dias vazios em que você acha inspiração no vazio e até na tristeza, mas tem dias como os meus atuais em que não existe nada.

nem inspiração nem raiva nem vontade de gritar. 

então eu pensei ontem que iria desistir desse projeto, e também a vida, mas como sempre eu resolvi me agarrar em alguma coisa, que é o fato de talvez um exercício, mesmo que vazio como esse de escrever sem vontade, produza algo.

O Hércules está numa agitação e me dando trabalho e uivando, e eu já estava desesperada com o que está acontecendo com esse senhor idoso pra estar assim e hoje descobri e meu deu um alívio:  Luna está no cio. Outra senhora também, então esses velhos assanhados.

Mas enfim, hoje é aniversário da Lori e então eu queria mandar beijos e abraços pra ela por aqui, por que ela entende a razão disso aqui existir. 









quarta-feira, 23 de abril de 2014

dia 12

Hoje é dia de São Jorge.

Eu acho que odeio esse desafio e esse blog, mas a minha vida é essa, me propor a fazer coisas que eu odeio em prol de um bem maior quem sabe, antes que eu desista de tudo e me sinta pior ainda que antes de começar.

Tirando isso o dia de hoje foi bom, eu fiz o que tinha que fazer, fui pra aula à tarde, dei aula de noite, etc etc.

Não chorei nem nada, mas fiquei pensando se alguma coisa que eu tenho é minha. Na volta pra casa, noite, cidade meio vazia, ouvindo Pulp, eu comecei a ter a sensação de que eu não tinha nada, eu era só eu solta no mundo sem cordão umbilical. 

Por que eu sou quem sempre fica pra trás? que sempre é deixada? quem fica olhando a silhueta ir desaparecendo até sumir completamente e fica inerte?

eu quero não querer mais nada.

comi um abacate e em vez de por açúcar pus stevia e ficou horrível.

o moço pra quem eu dou carona tem olhos azuis bonitos. Eu me sinto tão feia o tempo todo que sinto uma pouco de vergonha dos olhos bonitos.

eu queria ser bonita. Ontem fiquei lendo a Adília Lopes, ela me consola nessa questão.

"Choro
chove
mas isto é
Verlaine
Ou:
um dia
tão bonito
e eu
não fornico"

Hoje eu não tenho absolutamente idéia de nada.(o corretor me manda corrigir idéia para ideia, me recuso)

eu queria estar vestida com as roupas e as armas de Jorge para que eu mesma me sentisse dentro de algo.

A violência e o desejo do desejo do outro.

Viemos no carro falando do caos do sublime, do terror e a violência e o belo e de memória. tanta coisa pra estudar e eu agora relendo a História do Olho.

e, no final das contas, que diferença tudo isso faz, .

terça-feira, 22 de abril de 2014

dia 10 e dia 11

Ontem passei o dia em posição fetal e depois no fim da noite fui encontrar com alguns amigos, pra encarar esse mal da minha vida que é

ninguém nunca me deixa falar

e talvez eu não esforce mas eu tenho preguiça de gritar.

chega a ser um pouco engraçado esse fenômeno de eu ser o Alfredo daquele conto do Sabino (que inclusive me marcou devido ao reconhecimento, obviamente)

Também me chamaram sutilmente de gorda e eu ri, e é isso a minha vida.

Eu estou um pouco cansada de fazer tanto esforço pra ninguém me deixar falar enquanto me atropelam sem muita cerimônia, vai me dando uma exaustão e uma vontade de me deitar.

(Acho que sou narcoléptica, sob estresse eu sinto uma urgência de me deitar nem que seja no chão e tirar um cochilinho.)

aí a questão é que por muitos anos eu não me importei em ser o Alfredo, mas ultimamente eu tenho ficado chateada quando acontece. Ou entediada, talvez seja o mais preciso.

Hoje fiz mil coisas. Venho aqui deixar registrado. Fiz mil coisas, nada importante, mas eu fiz mil coisas.

não vou falar de feminismo por motivos de preguiça da treta da vez, só anotar aqui que: tem gente que não aguenta a idéia de perder um privilégio, mesmo teoricamente lutando do lado da minoria contra os outros privilegiados etc.

e assim são as pessoas.

domingo, 20 de abril de 2014

dia 9

A minha tristeza e a tristeza dos cachorros.

Não aguentei e desabei a chorar de madrugada. Chorei tanto de madrugada que acordei parecendo que estava com gripe. Então me disseram que eu estava gripando e eu disse que sim e senti um grande alívio, porque é mais fácil ter simpatia por ter gripe do que por chorar a madrugada inteira, obviamente.

Ontem a noite, devido ao problema do cachorrinho da rua ter sumido do jardim da minha casa, talvez pelo gradil, o deixei com o vigia da noite. Ele disse que encontrava com o do dia na troca de turno, então lhe pedi para entregar para o vigia diurno que de tarde eu lhe daria comida novamente. 

Mas de noite eu só pensava no cachorrinho abandonado. E na Luna, minha cachorra, que veio morar comigo aos 5 anos. Eu sempre desconfiei que ela nunca poderia superar isso, de ter sido abandonada. Como seria a sensação de tudo que era o centro do seu mundo te largar porque apareceu algo melhor (no caso da luna um bebê). E de como eu entendo o que é isso.

E o Hércules, meu cachorro, como ele está sozinho desde que o Kiko morreu. Ele chora. Eu tento ficar com ele mas não posso também. Ele morar no quintal. Pensei na solidão o Hércules. E no Kiko como eu não me perdoo por ter deixado o Kiko morrer sozinho. Eu dei comida pra ele e umas duas horas depois ele estava morto. Era domingo Na casinha dele, quieto. sozinho.

Então eu chorei por todos os meus cachorros e chorei por mim por entender a solidão deles e por ter pena da minha. e por saber que eu nunca vou chegar a ser boa o suficiente para eles. Então então a Luna se aninhou na minha perna e eu quis morrer mas não quis deixá-la sozinha novamente. Nunca seri nada perto do que eles são.

Hoje descobri que o viga da tarde perdeu de novo o cachorrinho, quando fui levar comida. Andei pelos quarteirões, choveu. Choveu muito. Voltei pra cama pra chorar, não sei o que fazer. Nunca soube.




sábado, 19 de abril de 2014

dia 8

Ontem a noite eu cheguei em casa e tinha um cachorrinho rondando a minha porta. Guardei o carro e voltei pra frente de casa e fui vê-lo. Ele queria colo, dei comida e água ele comeu tudo.Parecia de alguém, pois estava limpinho e bem cuidado e era muito dócil. O deixei na varanda com água e comida, pra hoje de manhã ir procurar o dono e tirar fotos  para compartilhar no facebook e esse tipo de coisa.

Hoje de manhã ele não estava mais lá, parece que conseguiu fugir pelo gradil, que é meio larguinho. Meu pai comentou essa possibilidade mas eu não achei que ele faria isso porque ele estava olhando fixamente para a dentro de casa, e dormiu colado na porta.

Fiquei triste. Fui conversar com o vigia da rua que contou a seguinte história: ontem a tarde ele passou o dia com ele, andando pela rua, até a hora em que o vigia foi para casa, ele disse que o cachorrinho o acompanhou até o ponto de ônibus na rua de baixo, aí o ônibus partiu. Quando eu cheguei quem estava na vigia era o do turno da noite, eu perguntei para ele se ele viu de onde o cachorrinho veio, se saiu de alguma casa mas ele não sabia de nada. O vigia do dia disse que outras pessoas perguntaram do cachorrinho hoje, e que ontem uma senhora chegou a comentar que se não fosse de ninguém ela ficava com ele, mas a imbecil disse que não ficaria com ele em casa pra não falarem que ela roubou.

A burguesia de BH tem um problema mental bem sério, ontem a noite ainda um amigo me contou de quando roubaram o apartamento dele e o do vizinho, ele chegou primeiro e tentou contactar o vizinho, mas ninguém tinha o telefone. Aí ele esperou o cara chegar na portaria do prédio, porque ele ficou tão em choque com a visão do apartamento aberto e revirado que quis que a outra pessoa soubesse antes de subir, e quando o cara chegou e ele foi dar a notícia o cara desconfiou dele.

Enfim, as pessoas são burras e mal intencionadas. Ninguém deu abrigo para o cachorrinho para depois ir procurar o dono, que é o que eu faria hoje de manhã. As pessoas estavam deixando ele correr perigo na rua para depois tentar ver se dava pra roubá-lo.

Então imagino que alguém já o pegou e pelo menos agora ele deve ter uma casa.

***

update: Fui sair no final da tarde e o vigia disse que o havia encontrado, então pedi pra ele pegá-lo e ficar de olho nele. Cheguei agora e o vigia veio me trazer o pequeno. Amanhã vou poder tirar foto e perguntar na vizinhança, mas parece que ninguém perguntou nada até agora, e só na terça posso ligar pros petshops da região e saber se alguém o reconhece, porque ainda tem esse problema de ser no meio do feriadão, e os donos podem estar viajando. Mas pelo menos ele está bem.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

dia 6 e dia 7

Ontem cheguei em casa depois da meia noite, e estava sem vontade de fazer nada. então para não estragar a sequência de dias achei melhor fazer um dois em um.

cheguei tarde e nem foi por uma boa razão. trabalho só.

ontem eu fui a terapia e falei que tinha voltado a escrever, a terapeuta achou bom e tal, aí puff, quebro a sequência. 

coisas que ainda não consigo falar na terapia: 
-como a faculdade me destruiu em mil pedaços
-por que eu sou hipocondríaca desde os 11 anos
-stuff

Páscoa me dá vontade de morar no interior. Eu acho que minha mãe fica triste também por morar na capital. Por que no interior existem todas essas celebrações e encenações e aqui talvez até tenha mas é fora de mão e cheio. mas enquanto minha mãe foi criada com esse tipo de sociabilização em torno de festas religiosas, pra mim não faz sentido, é só uma experiência de ser turista mesmo. mas a ideía de ser a estrangeira tem me atraído um pouco. a familiaridade de tudo aqui está me engolindo.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

dia 5

Hoje foi um dia longo.

mas é um dia que não dura nada, por que são tantas coisas que ele passa voando.

acabei de chegar em casa e estou pensando se eu postar depois da meia noite vai atrapalhar a sequência de dias?

ontem por causa desse blog, fiquei lendo o blog antigo, acho que eu era mais inteligente antes.

me cérebro está encolhendo? pesquisar

eu achava que ficaria mais inteligente com a idade, mas acho que as coisas mais interessantes e originais que eu pensei foram com vinte anos.

Espinosa fala de boas afecções (afeto da alegria) como potência para o conhecimento. Se você está feliz pensa melhor. Já a tristeza diminui sua potência. 

conversei com pessoas novas, foi agradável. a disciplina da filosofia realmente está boa, quando eu fiz isolada lá foi um pesadelo, as pessoas eram insuportáveis.

mas dessa vez são simpáticas.

dei carona para um colega, eu gosto de dar carona pra ter companhia. ele me pareceu uma pessoa boa, então eu fiquei de bom humor.

estou escrevendo qualquer coisa por é obrigação agora. e pra não dar meia noite e virar uma abóbora blogueira. só abobrinha.

na verdade não tenho nada pra falar.

terça-feira, 15 de abril de 2014

dia 4

Hoje foi dia dessas tantas funções para a manutenção da vidinha. Pilates e acupuntura pra dor, compras no supermercado para, bem, ter o que comer-e nenhuma realização.

Sinto-me terrivelmente autocentrada e não gosto da sensação. Penso que é muito gasto de recursos (dinheiro, tempo) para uma máquina tão mais ou menos quanto eu. 

Pouquíssima eficiência.

queria ser um moto perpétuo, um tapinha e pronto, keep moving. Mas não, energia é algo que nem sequer tenho tido.

se não tenho energia porém gasto enormes recursos só para me manter, como um computador que mal consegue mais rodas os programas atuais, existe motivo par continuar? 

a natureza não gosta desse tipo de existência.

e o que de importante eu produzo com todo esse recurso que gasto? muito pouco ou quase nada.

vou tentar me agarrar no raciocínio não depressivo: é tudo temporário.

mas será que eventualmente minha existência vai se sustentar? o que eu teria que produzir pra que eu tivesse um equilíbrio energético?



ecologistas não gostam de mim.

eu também não gosto muito.


segunda-feira, 14 de abril de 2014

dia 3

Hoje é dia de história chata.

ano passado eu tive um problema na lombar que me impediu de fazer exercícios contribuindo pra que eu engordasse, o que prejudica mais minha coluna. O ortopedista, que me mandou fazer fisioterapia. 

eu cheguei a ter vários momentos de paranoia achando que meu corpo estava sucumbindo e em breve eu ficaria paralisada. ou que viveria com dor sem nem poder me viciar em opiáceos como o House (porque ninguém me receitou opiáceo). ou que na verdade eu tinha uma doença auto imune que ainda não foi diagnosticada mas em breve eu estaria definhando, e é assim que meu cérebro funciona diante das adversidades. E fisioterapia é a coisa mais irritante do mundo e te dá tempo pra pensar, assim todos os dias quando eu saía de lá eu tinha mesmo certeza que meu destino era a dor e a paralisia. 

Aí que hoje acordei cedo e fui ao ortopedista. Fui decidida que o médico me liberaria (com toda simpatia dizendo que estava ótima e não que estava tendo um mini surto psicótico) e ele me examinou 

mas eu não sei mentir (e eu quis muito mentir) 

e  disse que doeu quando ele apertou minha coxa (o problema na coluna dá reflexo na coxa quem diria),  e aí ele disse que só liberaria para pilates ou mais 10 sessões de fisioterapia-minha escolha.

Saí me sentindo miserável

-porque pilates é caro e estou sem dinheiro e continuo com dor então é um miserável em vários sentidos -

e a fisioterapia pelo menos é coberta pelo plano de saúde. Mas aí pensei: na academia perto da minha casa tem pilates, e eu tinha um crédito de musculação porque paguei e não pude fazer (por causa do problema de coluna). Fui lá conversar, e deu certo assim, vou fazer um tempo de pilates com o crédito que eu tinha, depois posso fazer musculação normalmente.

(que é bem mais barato e cabe no meu orçamento)

e todo mundo, eu a academia e o médico ficamos felizes. (quer dizer pro médico tanto faz mas ele é uma pessoa bastante simpática e eu presumo que ele ficaria feliz e pra academia tanto faz onde eu gastei o crédito mas vou fingir que é um ótimo arranjo para eles também)

então eu senti que alguma coisa de certo e isso foi melhor que bombons.

domingo, 13 de abril de 2014

dia 2


estou em luta contra o esquecimento da minha própria vida. o que significa eu não me lembrar de quase nada do que tenho feito, pensando ou sentido?

estou cansada de ficar soterrada sob o cotidiano, porem só consigo me organizar no cotidiano, e assim criei um efeito de acumulação que me enche de pequenas obrigações com as quais eu não em importo muito (e que me cansam o suficiente para eu pareça produtiva, mas não são suficientes para que eu durma) e me dão uma sensação de realização superficial 

e por isso nada se fixa na minha memória.

preciso romper esse círculo e criar simultaneamente uma rotina sem parcelas em 36 vezes de um projeto de porvir, uma situação em que tudo seja só feito de coisas delicadas e que podem desaparecer com um sopro, e que assim eu as possa reter para sempre. na qual e me sinta absolutamente confortável e produtiva, sem soterramento, sem afogamento, sem esquecimento.

mas hoje eu só quis ser um burrito de tristeza e ficar enrolada na minha cama.

sábado, 12 de abril de 2014

dia 1

Acho que a idéia de ser obrigada, mesmo que por mim mesma, que não sou uma pessoa muito rígida, mas enfim, é a chefe que tenho no momento, a escrever todos os dias, vai me ajudar

-atualmente eu só faço duas coisas: um mestrado e uma dieta-

pois imaginei que ser obrigada a relatar algo do meu dia vai me ser útil para: dizer o que consegui fazer no dia

-eu precisarei fazer coisas para não ficar com vergonha-

e dizer fazer um balanço do meu estado geral de humor, que influencia diretamente minha capacidade de me concentrar e a foram como eu me alimento e se eu me exercito.

Portanto irei escrever aqui se realizei alguma coisa e e como eu estou, ou seja, é um diário mesmo.

Porque eu acho que devemos reabilitar os diários, porque eles foram relegados a uma categoria inferior por uma única razão: são ligados ao feminino (mas esse é um tema longo para outras digressões sobre a vida na internet).

como eu não sou o tipo de garota cool (a gostosa que age como os garotos porém sendo linda)

eu só sou eu mesma

eu escreverei um diário.

Hoje eu assisti a Trilogia do Silêncio, do Bergman, na mostra do palácio das artes. Sim, a trilogia mesmo, assistimos os 3 filmes um em seguida do outro.

Não vou falar dos filmes pois não me sinto capaz.

Hoje eu comi mal e besteiras, porém não muito.

Hoje eu passei três horas conversando com o melhor amigo sobre a nossa vida, e é sobre isso que conversamos sempre, porque não conversamos da vida dos outros. Parece uma tautologia mas não é.

Hoje foi um bom dia.