quarta-feira, 23 de abril de 2014

dia 12

Hoje é dia de São Jorge.

Eu acho que odeio esse desafio e esse blog, mas a minha vida é essa, me propor a fazer coisas que eu odeio em prol de um bem maior quem sabe, antes que eu desista de tudo e me sinta pior ainda que antes de começar.

Tirando isso o dia de hoje foi bom, eu fiz o que tinha que fazer, fui pra aula à tarde, dei aula de noite, etc etc.

Não chorei nem nada, mas fiquei pensando se alguma coisa que eu tenho é minha. Na volta pra casa, noite, cidade meio vazia, ouvindo Pulp, eu comecei a ter a sensação de que eu não tinha nada, eu era só eu solta no mundo sem cordão umbilical. 

Por que eu sou quem sempre fica pra trás? que sempre é deixada? quem fica olhando a silhueta ir desaparecendo até sumir completamente e fica inerte?

eu quero não querer mais nada.

comi um abacate e em vez de por açúcar pus stevia e ficou horrível.

o moço pra quem eu dou carona tem olhos azuis bonitos. Eu me sinto tão feia o tempo todo que sinto uma pouco de vergonha dos olhos bonitos.

eu queria ser bonita. Ontem fiquei lendo a Adília Lopes, ela me consola nessa questão.

"Choro
chove
mas isto é
Verlaine
Ou:
um dia
tão bonito
e eu
não fornico"

Hoje eu não tenho absolutamente idéia de nada.(o corretor me manda corrigir idéia para ideia, me recuso)

eu queria estar vestida com as roupas e as armas de Jorge para que eu mesma me sentisse dentro de algo.

A violência e o desejo do desejo do outro.

Viemos no carro falando do caos do sublime, do terror e a violência e o belo e de memória. tanta coisa pra estudar e eu agora relendo a História do Olho.

e, no final das contas, que diferença tudo isso faz, .

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