Eu acho que odeio esse desafio e esse blog, mas a minha vida é essa, me propor a fazer coisas que eu odeio em prol de um bem maior quem sabe, antes que eu desista de tudo e me sinta pior ainda que antes de começar.
Tirando isso o dia de hoje foi bom, eu fiz o que tinha que fazer, fui pra aula à tarde, dei aula de noite, etc etc.
Não chorei nem nada, mas fiquei pensando se alguma coisa que eu tenho é minha. Na volta pra casa, noite, cidade meio vazia, ouvindo Pulp, eu comecei a ter a sensação de que eu não tinha nada, eu era só eu solta no mundo sem cordão umbilical.
Por que eu sou quem sempre fica pra trás? que sempre é deixada? quem fica olhando a silhueta ir desaparecendo até sumir completamente e fica inerte?
eu quero não querer mais nada.
comi um abacate e em vez de por açúcar pus stevia e ficou horrível.
o moço pra quem eu dou carona tem olhos azuis bonitos. Eu me sinto tão feia o tempo todo que sinto uma pouco de vergonha dos olhos bonitos.
eu queria ser bonita. Ontem fiquei lendo a Adília Lopes, ela me consola nessa questão.
"Choro
chove
mas isto é
Verlaine
chove
mas isto é
Verlaine
Ou:
um dia
tão bonito
e eu
não fornico"
um dia
tão bonito
e eu
não fornico"
Hoje eu não tenho absolutamente idéia de nada.(o corretor me manda corrigir idéia para ideia, me recuso)
eu queria estar vestida com as roupas e as armas de Jorge para que eu mesma me sentisse dentro de algo.
A violência e o desejo do desejo do outro.
Viemos no carro falando do caos do sublime, do terror e a violência e o belo e de memória. tanta coisa pra estudar e eu agora relendo a História do Olho.
e, no final das contas, que diferença tudo isso faz, né.
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